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O Artista
A Cara do Amanha é o novo trabalho do fotógrafo baseado em Istambul Mike Mike. O trabalho toca noções de raça, origem, identidade e sentido de pertença tanto a um nível extremamente local como a um nível de ambição impossível, quase Borgiana, à escala global. O projecto é uma exploração da identidade humana tal como é afectada pelas forças da globalização e usa plenamente os instrumentos da economia moderna: distribuição de trabalho por diversos fusos horários, com recurso a obter vantagens sobre as diferenças de custos de produção, um modelo de fonte em aberto que permite o contributo dos colaboradores, e, evidentemente, o privilégio da internet em si, como veículo principal de exposição e troca. O artista viaja o mundo e em cada cidade ele fotografa as cem primeiras pessoas que consegue convencer a fazer parte do seu projeto. Ele então mescla os seus rostos criando uma nova face, um novo homem ou uma nova mulher, que para ele é uma representação destilada daquele lugar naquele momento no tempo. Num nível pessoal, trata-se de uma procura do artista pela identidade, o sentido de pertença e a relação entre o ser individual e o mundo global. Num nível mais profundo, trata-se da exploração dos sistemas que operam por trás da globalização e como estes sistemas podem influenciar o aspecto futuro de cada indivíduo. Esse trabalho é uma busca do artista pela própria identidade, por um pertencer a um lugar e de sua relação com o mundo. Mike Mike cresceu em meio a era do apartheid na África do Sul, foi educado em quatro continentes e atualmente vive entre Sidney e Istambul, “uma cidade esquizofrênica” situada em dois continentes com identidades européias e asiáticas, ocidental e oriental, do norte e do sul e também do primeiro mundo e do mundo em desenvolvimento. É natural que questões de globalização fazem parte da central do seu trabalho. O projecto agora adquiriu uma vida por si próprio, tal como um código do computador ou um vírus, e neste momento há pessoas a trabalhar no projecto independentes de Mike, na Colômbia, Japão, Alemanha e Holanda. A jornada da descoberta de Mike começou há alguns anos, em uma viagem para Londres. “Sentado em um trem, encontrava-me intrigado pela diversidade do lugar – Somalianos, Indianos, Americanos, Zimbabueanos, Escandinavos e uma centena de outras nacionalidades a caminho de suas casas nessa grande metrópole. Eu pensava que lugar é este, qual é o verdadeiro Londrino? Algumas semanas mais tarde, eu estava em Istambul e observando a uniformidade relativa de sua população eu percebi que estava vendo o futuro de Londres. Há mil anos atrás, Istambul era a capital das remanecências do império romano – lar para uma inacreditável variedade de povos da Grécia, Roma, Ásia Central, Arábia e Rússia. Agora esta diversidade se assentou para algo vagamente homogênio - quase todos com cabelos escuros, olhos castanhos e morenos claros. E então pensei, que se alguém conseguisse mesclar as caras de um lugar como Londres, estaria vendo o futuro daquele lugar – Teria assim uma noção do que um Londrino é ou se tornará”. Tendo como seu ponto de referência os primeiros trabalhos de Francis Galton, e os recentes trabalhos de Gerhard Lang e Nancy Burson, que exploram as questões da identidade através de uma técnica similar de sobreposição fotográfica, Mike estabeleceu uma sistemática, quase que um tipo de censo para abordar esse tema. Seguindo com a pergunta “Como se parecem um Novaiorquino, um Londrino ou um Parisiense?”, Mike tenta achar essa resposta fotografando cem pessoas ao acaso na esquina de uma rua e mescla as suas caras para criar um novo indivíduo – alguém que não existe agora, mas que parece real – quase familiar. A Cara do Amanha é um projeto de tempo e lugar intrincicamente específicos à medida que encontramos indivíduos de diferentes locais do mundo e é extremamente amplo ao tentar destilar esses indivíduos numa só cara que de, alguma forma, captura o “look” daquela cidade ou daquele lugar. “O processo da combinação das caras e da elaboração de alguém novo é realmente excitante; um material tipicamente criativo. Você acaba criando uma nova pessoa, alguém que não existia antes, alguém que não existe agora, mas, entretanto, alguém que é bem real." Assim, esse trabalho é, ao mesmo tempo, um documento de um lugar em um momento no tempo e também a extrapolação daquele lugar em direção a algum futuro utópico onde todas as diferenças de raça ou individualmente são esquecidas. É nesta justaposição entre o real e o irreal, entre o estranho e o familiar, entre o ordinário e o extraordinário, entre o fotográfico e o pictórico que permite que o trabalho produza ressonâncias além das suas imediatas diferenças espaciais e temporais. Isso permite conexões a serem feitas apesar de limitações, ao vermos que lugares diferentes do mundo algumas vezes podem produzir resultados drasticamente similares. Essas disjunções permitem que o público questione a noção de si, de sua identidade e talvez saiam de alguma forma desafiados e apreciando uma conexão escondida entre toda humanidade no outro. Mike Mike Nasceu em 1964, Cape Town, Africa do Sul estudou na Goldsmiths College, Londres vive e trabalha em Istambul |
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