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El Proceso
En cada ciudad hago 100 fotos de personas situadas en un lugar concreto. Después las divido entre hombres y mujeres y de estas fotos obtengo la cara por fotomontaje. No estoy interesado en saber si una persona nació en aquel lugar, si es ciudadana o simplemente un turista. Todo el mundo que está en ese lugar representa la futura cara potencial de ese lugar De este modo la Cara del Mañana es como un censo. Una instantánea de un lugar en un tiempo determinado. El presente y el futuro. |
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O CÓDIGO DE ORIGEM 0.0 A TEORIA 0.1 A Cara do Amanhã A Cara do Amanhã é uma proposta de exploração da identidade humana tal como esta é afectada pelas forças de globalização. A teoria parte do princípio que se neste momento conseguirmos recolher amostras suficientes de caras de pessoas numa cidade, e que se conseguirmos misturar todas essas pessoas com a ajuda de um computador para criar um novo homem ou uma nova mulher, estaremos a olhar para o rosto futuro dessa cidade. 0.2 O processo Nós tiramos 100 fotos de pessoas, escolhidas mais ou menos ao acaso, na rua. Usando estas fotos como matéria prima, compomos um protótipo de uma cara ao fundir rostos masculinos ou femininos, para criar uma nova cara que pertence a várias gerações do futuro. 0.3 Globalização O projecto utiliza todos os instrumentos da economia moderna – distribuição de trabalho por diversos fusos horários, com recurso a obter vantagens sobre as diferenças de custos de produção, um modelo de fonte em aberto que permite o contributo dos colaboradores, e, evidentemente, o privilégio da internet em si, como veículo principal de exposição e troca. 0.4 O modelo de fonte em aberto A cara do amanhã usa o modelo de fonte aberta, tal como o software de computadores Linux. Isto significa que o seu código de recursos (a sua lógica interior, pressupostos e metodologias) estão abertos à inspecção, desafio e mudanças dos seus programadores (as pessoas envolvidas na acção de tirar as fotos, na produção das imagens compostas e na exposição dos trabalhos). Se um sistema melhor puder ser concebido dentro dos limites práticos e económicos do projecto, então os pressupostos e metodologias estão em função disso abertos à mudança. 0.5 O objectivo Não há objectivos. O propósito deste projecto é simplesmente registar o que lá estiver dentro dos parâmetros definidos no código de origem. Acredito que um artista, tal como um cientista, deve simplesmente tentar registar o mundo tal com ele é, sem impor um tipo de moral ou um sistema de crenças. Do conjunto destes dados irão surgir padrões. Como é que estes padrões são interpretados é uma escolha individual. Para mim, o projecto tem um certo significado. Os padrões que vejo emergir são beleza e integridade, e uma conexão implícita entre todas as pessoas. Por tanto, para mim, A Cara do Amanhã pode ser entendido como um projecto utópico – a projecção de um futuro onde a raça ou a identidade individual já não são tão importantes ou divisórias como o são hoje. Para outros o projecto pode representar outra coisa – até mesmo o oposto total. 1.0 INSTRUÇÕES PARA A SESSÃO DE FOTOS 1.1 A localização Escolha uma localização – uma parte da cidade – um determinado bairro , uma universidade, uma praça, uma rua peculiar. Este local pode ser turístico ou pode ser completamente desconhecido. A escolha é sua. De certa forma é bonito que o local represente a sua cidade, mas isso não é essencial, pois cada local é apenas um reflexo da sua localização. Para obter uma cara de uma cidade inteira, precisamos de vários locais à volta dessa cidade. O importante é que o local seja muito movimentado. Você pode ter de perguntar a 400 ou 500 pessoas se elas querem tirar uma foto, de forma a obter 100 fotos. Portanto é preciso que hajam muitas pessoas por perto. De um modo geral as pessoas colaboram sem reservas se você lhes explicar rapidamente que precisa da sua ajuda para um projecto artístico. Em certos locais 90% das pessoas aceita colaborar, noutros apenas 15 ou 20%. 1.2 O Equipamento Você vai precisar de uma câmara digital. Regule a resolução para 3 Megapixels ( ou no mínimo 2 Megapixels). Use o modo de Disparo Automático ou o modo Retrato, no caso de a câmara o permitir. Coloque a câmara num tripé. E acima de tudo, certifique-se que o flash está desligado durante toda a sessão. 1.3 A Sessão Instale-se num sitio que esteja bem próximo da rua mais movimentada. Verifique as condições de luz. Não fotografe pessoas sobre luz solar directa. Normalmente eu fotografo debaixo de um toldo, á sombra, com a luz do entardecer. Tenha em atenção evitar quaisquer cores reflexas que possam influenciar os tons de pele. Coloque o quadro de cor à esquerda da cabeça do sujeito. Ajuste a posição da câmara no tripé para cima ou para baixo conforme a altura do sujeito e tire a foto. Você vai precisar de alguém que lhe dê assistência ao fazer contacto com as pessoas enquanto você toma atenção à câmara. Quanto mais pessoas conseguir ter a ajudá-lo, melhor será – idealmente 5 ou 6 pessoas conseguem fazer a sessão bastante depressa. 1.4 As pessoas na rua Tente, o quanto lhe for possível, seleccionar, quem quer que passe na rua. Seja quem for que esteja no local representa o potencial futuro desse local. Portanto tire fotos de TODAS as pessoas – turistas, pessoas do local, comerciantes, pedintes, TODOS os que lá estiverem e que aceitem ser fotografados. Inevitavelmente é mais fácil abordar pessoas mais jovens. Também no geral há mais presença de homens na rua e estes são mais fáceis de convencer do que as mulheres. Se estiver a trabalhar numa cidade que tem uma população de grande diversidade étnica, tente seleccionar um conjunto representativo dessa diversidade de pessoas. Por vezes isto pode não ser possível, pois determinados grupos étnicos e sociais reagem de formas diferentes ao facto de serem fotografados. Estes são problemas da própria natureza da sessão, mas de certa forma eles também reflectem as tensões internas no interior da estrutura da própria globalização. O projecto é de facto um reflexo destas forças de globalização e não pretende ser moralista ou defender uma posição ou teoria especifica. Apenas tenta descobrir o que está lá for a e então extrapolar isso no futuro, de acordo com a sua própria lógica interna e metodologia. Não tente procurar a diferença, diversidade, beleza ou qualquer outro traço particular, apenas deixe-se ir com a multidão! Siga os seus instintos. E acima de tudo, DIVIRTA-SE! 1.5 Questões técnicas Você pode recolher os nomes e moradas de e-mail das pessoas que participam na sessão. E nós podemos enviar-lhes os resultados quando estiverem prontos. Não se esqueça de entregar aos participantes o cartão de AGRADECIMENTO após a foto ter sido tirada. 2.0 O PROCESSO DE SELECÇÃO 2.1 Antecedentes Recentes estudos em Istambul mostraram que as diferenças entre uma dada população são notavelmente pequenas. Tomando uma amostra de 100 homens, e nesse período sobrepor os seus rostos (tal como Galton fez há mais de 100 anos) em 10 conjuntos de 10 faces, as 10 novas composições resultantes possuem uma semelhança extraordinária entre si. Havia definitivamente uma semelhança inerente numa amostra de indivíduos tão pequena. Em conjuntos de 20, os rostos eram virtualmente idênticas entre si e idênticas a uma face composta por todos os 100 indivíduos. 2.2 O processo de fusão O efeito das camadas provou que a tese estava correcta. Então, eu aperfeiçoei a técnica com um programa de fusão que é muito mais preciso o que me permite usar menos faces para atingir o mesmo resultado. Manualmente eu retiro mais de 120 pontos em cada face e marco-os na face correspondente da próxima face. Então, o computador faz uma média de todas as linhas e cores e acabamos por ter uma fusão dos dois com 50% de características de cada cara individual. Ao tomar dois rostos masculinos de cada vez, ou dois rostos femininos, podemos criar uma segunda geração de faces compostas. Depois, a partir da segunda geração de rostos compostos, de novo, dois de cada vez, criamos uma terceira geração. E daí por diante. A natureza deste processo de criação, significa que seja qual for o número que escolhemos trabalhar, deve ser uma potência de dois. Isto é, tem de ser 2, 4, 8, 16 ou 32. Com 64 ou 128 indivíduos, as cidades começam a aproximar-se de um determinado tipo humano e o resultado final já não é tão interessante – excepto enquanto manifestação deste fenómeno. 2.3 Dezasseis graus de separação A natureza da sociedade, em que inevitavelmente, mesmo nas mais avançadas democracias liberais, há mais homens do que mulheres na rua, o que significa que numa sessão de fotografias nós conseguimos ter cerca de um terço de mulheres e dois terços de homens. Nem sempre podemos fazer conta de obter 32 mulheres, por isso o numero que acaba por ser conveniente para o trabalho é de 16. De estudos prévios, concluiu-se que este numero era suficiente para dar uma ideia da futura cara desse local com um alto grau de fiabilidade. De facto, sabemos que temos uma cara representativa porque a cara masculina ou feminina de um dado local acabam sempre por se parecer como irmão e irmã, ainda que cada uma seja feita com um conjunto de indivíduos sem qualquer relação. 2.4 A Cara do Amanhã A cara do amanhã é uma cara jovem. Enquanto artista eu queria um rosto de um jovem adulto que representasse a esperança, energia e vitalidade do futuro. Não estou a dizer que não vai haver pessoas idosas no futuro – apesar de os progressos na engenharia genética façam disso ima possibilidade real – es estou simplesmente a fazer uma escolha artística para representar o rosto futuro de um determinado local com a cara de um jovem adulto. Neste momento a idade média de todos os habitantes do planeta é de 25 anos, e esta idade dá-nos um rosto de um jovem adulto com maturidade suficiente para ser interessante e em que podemos encontrar uma certa dose de carácter e personalidade mesmo passando pelo relativamente homogeneizador processo de fusão. Também, ao trabalhar com gerações novas, estamos a saltar uma ou duas gerações para, se quiser, chegar ao futuro mais depressa. As gerações mais novas já representam mais o futuro na medida em que o processo de misturas raciais que ocorre durante o tempo já acontece mais do que em gerações mais velhas. 2.5 O processo de selecção O que tudo isto significa é que eu tirei 16 homens e 16 mulheres como o numero base de trabalho, e escolhi seleccionar este conjunto de 32 usando uma média de idades de 25 anos. Os bebés, crianças menores de 15 anos e pessoas idosas que não são seleccionadas no processo de fusão, continuam a ser crucialmente importantes no processo pois elas podem determinar o aperfeiçoamento da selecção dentro do aspecto étnico dos 32 seleccionados devem reflectir a diversidade total da amostra. 2.6 Sobre a prática Tome os 100 indivíduos (você pode ter à vontade mais de 100) e divida-os em masculino e feminino. Organize-os segundo as suas idades. Usando os 25 anos como ponto de partida, trabalhe em redor desta idade e seleccione 16 rostos que lhe parecem representativos. Use 15 anos como a idade mínima. A idade máxima dependerá da sua amostra. Tenha em consideração o aspecto geral do grupo étnico da amostra, e seleccione um conjunto de homens e mulheres da mesma idade para cada composição. 2.7 Predisposição, Beleza e Ordem Existente A cada passo do processo há uma predisposição humana. A selecção feita pelo fotógrafo dos indivíduos na rua irá inevitavelmente resultar numa predisposição, tal como a selecção final dos indivíduos que serão fundidos. Se o fotógrafo for do sexo masculino, ele poderá ter um melhor relacionamento com outros homens, se o fotógrafo tiver 20 anos poderá comunicar melhor com pessoas jovens e, é claro, se o fotógrafo for de um grupo étnico particular, ele ou ela poderão sentir-se mais à vontade em abordar outras pessoas desse mesmo grupo. Há também sempre a tendência para tentar fotografar a “rapariga bonita” ou o “rapaz giro”. Apesar das instruções sejam no sentido de ser o mais neutral possível no processo de selecção, os preconceitos e as inclinações do fotógrafo acabam por encontrar o seu caminho. Isto alarga-se ainda às pessoas na Índia que criam as imagens compostas. Inicialmente, apesar de estarem a usar um programa de computador neutral, as caras que foram concebidas tinham todas um aspecto indiano, com aqueles grandes olhos dos actores de filmes de Bollywood típicos dos cartazes pintados à mão que se costumam ver nas ruas da Índia, onde até as estrelas de cinema de filmes ocidentais começam a parecer indianos. Esta inclinação foi corrigida por mim e agora os olhos parecem estar “certos”, mas talvez eu esteja a pôr as minhas próprias inclinações ou predisposições de volta à imagem. È difícil perceber o que vemos exactamente, porque até mesmo a câmara fotográfica tem construída em si uma predisposição. Tive uma discussão interessante com um homem do Smithsonian Institute, que me explicou que há 50 anos um fotógrafo que trabalhava em África deu-se conta que se coloca-se uma lente amarela a frente da câmara a foto registava um tom de pele negro mais natural. Isto significa que até no próprio filme fotográfico havia uma predisposição de fabrico pois este estava calibrado para fotografar essencialmente pessoas de pele branca. Por fim à a predisposição que se forma nos sistemas de produção e consumo de arte e no acesso à internet. A Arte, grosso modo, é uma prática da classe média branca. A sessão de fotos ao lado da Tate Modern demonstrou isso claramente, onde foi muito notória a ausência de negros numa cidade com tanta diversidade como Londres. Isto não é apenas um fenómeno de Londres – uma sessão semelhante no Museu Whitney em Nova Iorque ou o MASP em São Paulo, irão certamente produzir o mesmo resultado. Portanto as pessoas que se envolvem no projecto que escolhem participar através do mundo da arte não são representantes de toda a comunidade. Da mesma forma, as pessoas que têm acesso à internet, e que se envolvem no projecto através desse meio, também não são representantes de toda a comunidade. Em ultima análise, todas estas predisposições e escolhas não são mais do que manifestações das forças por trás da globalização – um reflexo de realidades existentes se assim o entender. Ao recorrer ao exterior em todos os aspectos da Cara do Amanhã e fazendo este um projecto de fonte de origem em aberto, tudo o que posso fazer é assegurar-me que as predisposições ou preconceitos não partem de mim. Mais uma vez não estou a tentar tirar conclusões deste facto, estou a tentar segurar um espelho em frente ao mundo. 2.8 Glossário Indivíduo: uma pessoa, homem ou mulher, cuja foto foi tirada na rua Composição: uma cara composta por diversas caras individuais Fusão: um termo que designa a combinação assistida por computador de uma cara com outra cara, de forma a que a cara resultante tem 50% das características das duas caras individuais. |
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